quarta-feira, 13 de maio de 2009

Wilco - Wilco (The Album) (2009)

Wilco

Quando Lennon, mesmo que mal interpretado, disse que o Beatles era mais popular que Cristo, o mundo desabou. Se fosse hoje, John teria dito isso via Twitter, mas o barulho seria muito menor, pois há quem acredite que Wilco é o Beatles da nossa geração. Há quem acredite veementemente que Wilco é maior que Beatles. E há aqueles que acreditam que Wilco é o próprio Deus, sob a figura de Jeff Tweedy ou sei lá o que. Tudo isso seria uma afronta bem maior se não tivesse, realmente, um pouco de fundamento.


Em seu sétimo álbum de estúdio, o Wilco não veio muito disposto a mudar toda sua personalidade, como já fez outras vezes. O Wilco veio afirmar que são eles próprios. Isso não se faz tão necessário para todos os doentes e viciados na banda, mas também não é nada ruim. Pois, em "Wilco (The Album)", o sexteto de Chicago apenas mostra, novamente, sua melhor face. E que bela face.

Agora, o álbum parece querer aumentar ainda mais a gama de conhecedores e admiradores da banda. Até em seu próprio título, ele faz referência a uma apresentação e, mesmo para uma banda com 15 anos de carreira, isso parece fazer sentido. Faz sentido porque conseguiram unir todo potencial do Wilco em belas canções e, discorrendo sobre suas maiores potências, criou músicas tão bonitas quanto coesas, sobrando espaço ainda para fazer canções mais divertidas. Pois então, além de entregar aos fãs um grande álbum, entregou a eles também uma carta de apresentação, para que eles indiquem aos amigos mais leigos. E talvez nem seja o melhor disco deles mas, é provavelmente, o mais apropriado para um primeiro contato com um Wilco que já passou por consideráveis mudanças. Mudanças essas que nem de longe lembram as mudanças que o citado Beatles sofreu, por exemplo.

A proposta dos caras de Liverpool era totalmente diferente. Experimentavam e criavam canções pop, moldando o próprio cenário. Com o Wilco, as mudanças foram sim experimentações, mas dentro da própria proposta já sugerida, tendo uma unidade durante toda uma carreira mas, permitindo aos ouvintes, sempre ouvir coisas novas e diferentes onde, ainda assim, era possível reconhecer a banda. Complexo demais? Não. Diversas outros já conseguiram o mesmo porém, com o Wilco, sempre houve excelência. Sempre houveram grandes álbuns. Raramente tropeçaram, e daí surgiu a comparação com o fab four. Pois ambas as bandas sempre se preocuparam com a qualidade máxima em seus trabalhos, e sempre trabalharam junto ou para o público, ao mesmo tempo. Nunca decepcionando.

Já a comparação com Deus, não sei bem explicar. Tente ouvir e me dizer o porquê. Afinal, com um álbum destes, eu tenho ainda mais certeza de que o Wilco existe. Quanto ao resto...

Wilco - Wilco (The Album) (2009)
Wilco - Wilco (The Album) (2009)
01 - Wilco (The Song)
02 - Deeper Down
03 - One Wing
04 - Bull Black Nova
05 - You and I
06 - You Never Know
07 - Country Disappeared
08 - Solitaire
09 - I'll Fight
10 - Sunny Feeling
11 Everlasting Everything
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10 comentários:

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

Sobre a resenha, duas coisas:

1) A comparação com os Beatles é corretíssima! Vide o 'plágio' com You Never Know que é My Sweet Lord do George Harrison escarrada.

2) Foi só aproximar com os Beatles que a receita desandou. Dois discos abaixo da média com essa compulsão idiota do Jeff em querer fazer parte de uma banda pior que o Wilco.

Esse disco novo é muito chato, cara. Pouca coisa salva, a maioria quando se distancia dos malas dos Beatles.

Em todo caso, o seu blog é bacana!

Guilherme-BH.

Denise disse...

Normalmente comparações nunca são boas, cada um tem seus estilo semelhanças e diferenças.
mas o fato é que eles são otimos, e isso que vale =D

Xará disse...

Legal que o meu Xará faz uma comparação com uma música solo do Harrison (que, curiosamente perdeu em um processo de plágio), de um álbum com uma sonoridade nada beatles.

Tá bem entendidão do assunto.

Ótimo blog, Borges.

Guilherme disse...

Nada Beatles!

Hahahaha! Realmente você tá muito entendido, Xará!

Dizer que o disco todo é Beatles realmente é um exagero. Mas não tem como negar músicas muito Beatles como a já citada You Never Know, Country Disappeared (que é uma Hate It Here mais lenta, esta última ótima, mas que mesmo assim emulava Beatles - só que diferentemente destes, Hate it Here era uma das jóias de SBS), Everlasting e Deeper Down. O resto é o Wilco de forma mais ou menos hábil construindo canções que não acrescentam muito, porque inspiradas em outras músicas da banda. Bull Black Nova é uma mistura de Spiders com a chatíssima Side With The Seeds; I'll Flight tem pegada Jesus Etc num clima Summerteeth - e é uma canção bacana; Sunny Feeling é uma música legal, mas claramente remete a beleza de I'm Wheel - que por sua vez é muito semelhante a Kicking Television - permeada pela introdução de Velouria, dos Pixies. Fato é que, embora tenham 'boas' canções e que talvez o disco seja no conjunto melhor que o SBS, desta vez não tem nenhuma canção definitiva - SBS tinha ao menos a Impossible Germany ocupando esta posição; A Ghost Is Born - disco este sim sensacional, mesmo com o prociosismo de Less Than You Think - tinha At Least That's What You Said como música definitiva; Yankee Hotel Foxtrot tem a I Am Trying to Break Your Heart; Summerteeth tem a A Shot In The Arm; e o Being There, fechando o rol de discos significativos da banda, tem a Misunderstood. O que tem de realmente bom nesse disco? Wilco, The Song é legal; Deeper Down passa; One Wing é linda; Bull Black Nova é apelativa; You And I, é o tipo de balada ao violão fofinha que não fede nem cheira; You Never Know eu nem comento; Country Disappeared passa; Solitaire é chata; I'll Flight é legal, assim como Sunny Feeling. Everlasting é mais do mesmo de Solitaire e You and I. Um disco nota 7, apenas. Quer ouvir algo realmente definitivo, meu xará? Põe Sunset Rubdown. Spencer Krug não erra a mão. Vide a Insane Love is Awakening, que ele gravou para um compacto. Uma música que ele gravou no quarto dele, sem nenhum aparato é mais emocionante do que tudo que tem nesse disco do Wilco.

Xará disse...

Se esse "nada beatles" foi pra mim, quando eu disse "nada beatles" me referi ao "All things must pass", do George Harrison, não ao disco do Wilco, que eu nem ouvi.

Guilherme disse...

Curti a capa.

Guil*

Kosmos Deimos disse...

foda!

Anônimo disse...

Uma atenção especial a participação da - incrível - feist

Anônimo disse...

nice