quinta-feira, 24 de setembro de 2009

The Flaming Lips - Embryonic (2009)

The Flaming Lips

Foi depois de um pouco mais de 10 audições e de quase nenhuma compreensão, que entendi o valor de "Embryonic", novo trabalho do fabuloso Flaming Lips.

Há mais de 20 anos lançando álbuns, o quarteto de Oklahoma só foi receber o justo reconhecimento em 1999, com o divisor d águas "The Soft Bulletin", que veio depois do quádruplo e pretensiosíssimo álbum "Zaireeka" (uma experiência praticamente malsucedida, onde a pessoa deveria executar os quatro álbuns em quatro aparelhos diferentes, ao mesmo tempo), que vinha para afogar as mágoas de um único single relevante para o universo da música popular. Se depois disso, o Flaming Lips conseguiu emplacar outro ótimo e elogiadíssimo álbum, "Yoshimi Battles the Pink Robots", a ressaca ficou para o enxugado "At War with the Mystics", que apesar de ser um dos momentos mais sensatos da banda e carregar ótimas canções pop consigo, não trazia a mesma grandiosidade dos trabalhos anteriores.

É preciso entender toda esta caminhada recente do Flaming Lips, e também adorar a banda (e acreditar que eles são uma das bandas mais relevantes surgida nos últimos anos), para ter "paciência" para seu novo álbum. Coloque algo na sua cabeça antes de ouvir, e vai entender o que eu digo: o Flaming Lips não mais fez e não mais fará um álbum ruim.

Agora prepare-se.


Assim como em "Zaireeka", o disco se trata de grandes experimentações sobre ritmos e texturas, tudo isso, obviamente, apurado com belas e doces melodias. Ok. Nem Sempre. Se a banda vinha de uma sequência de canções pop tão bem definidas, apesar de envoltas a diversas camadas e ruídos, as novas canções não trazem mais toda aquela alegria. O clima agora é mais tenso, os momentos mais incompreensíveis, porém as sensações são naturais e não há um clima de falsidade. Durante as 18 faixas, ainda é possível encontrar momentos deliciosamente harmoniosos e é impossível não reconhecer o TFL.

Apesar da proposta ambiciosa, é nos detalhes mais simples que "Embryonic" pode te conquistar. A quase hipnótica "Convinced Of The Hex", a belíssima (ainda que camuflada) "Evil", a poderosa "See The Leaves" seguida da quase silenciosa "If", são as faixas responsáveis por você chegar até a metade do disco. Não vou negar que é complicado, diante de tanta experimentação, manter-se estável até metade do disco. Mas, se chegou até aqui, vai sentir que valeu a pena.


Após a nona faixa, você se depara imediatamente com a enérgica "The Ego's Last Stand" e, a seguir, com "I Can Be A Frog", a mais doce e fofa do álbum, onde Karen O, do Yeah Yeah Yeahs, encara um sapo, um urso, um índio e até um furacão para uma espécie de declaração apaixonada mais que original. A parceria com o MGMT não deu exatamente bons frutos, "Worm Mountain" parece mais ter gerado uma plantação toda de esquisitices. A auto-tuneada "The Impulse" é resposta do lado B para "If". Segue-se então com "Silver Trembling Hands" e duas faixas de confusão sonora que espanta até o restante do álbum.

Aguentou até aqui? Talvez tenha sido esse o maior desafio imposto pelo Flaming Lips, desde comprar 4 aparelhos de som para ouvir o "Zaireeka".

O que fica é um produto de jam sessions executada por uma das mais significativas bandas que resiste há anos no cenário musical. E a teoria de que o Flaming Lips não fará mais um álbum ruim, mantém-se intocável, ainda que seja de uma maneira bem diferente. E caberia melhor?

The Flaming Lips - Embryonic (2009)
The Flaming Lips - Embryonic (2009)
01 - Convinced Of The Hex
02 - The Sparrow Looks Up At The Machine
03 - Evil
04 - Aquarius Sabotage
05 - See The Leaves
06 - If
07 - Gemini Syringes
08 - Your Bats
09 - Powerless
10 - The Ego's Last Stand
11 - I Can Be A Frog
12 - Sagittarius Silver Announcement
13 - Worm Mountain
14 - Scorpio Sword
15 - The Impulse
16 - Silver Trembling Hands
17 - Virgo Self-Esteem Broadcast
18 - Watching The Planets
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5 comentários:

Anônimo disse...

Download Link:
http://sharebee.com/00039a1d

Cleiton disse...

está com todas as faixas? qual o bitrate? :P

Iberê Borges disse...

Completo. Bitrate único na net ainda, 160kbps.

Mas tá ótimo.

indierokker disse...

Porra eu fiquei com a mesma impressão que você depois de escutar o disco. Bem complicado mesmo esse álbum.

E você tá de parabéns, seu blog é incrível.

Leo disse...

Não gosto dessa banda. Mas sempre dou uma chance pra uma coisa muito falada. Por enquanto não acho nada demais...